Sei que não sou nenhuma expert, mas esses 16 anos de carnaval, desfilando, acompanhando o trabalho de barracão, conhecendo a responsabilidade de um carnavalesco, o trabalho de pesquisa, montagem de alegorias, etc, me deram bagagem suficiente para que eu possa fazer uma análise crítica sobre meu primeiro desfile pela Império de Casa Verde.
Optei por trocar de escola pq acreditei no trabalho sério, no profissionalismo, na garra. Fiz minha parte indo aos ensaios de quadra, nos ensaios técnicos mesmo morando em Santos... divulguei a escola e pintei meu coração de azul e branco.
A escola consagrou-se bi-campeã do carnaval paulista mas, apesar disso, saí desapontada da avenida.
Tudo começou qdo fui retirar minha fantasia no atelier. Nunca usei uma fantasia tão pesada em toda minha vida, mesmo já tendo usado maiores. O arame utilizado, além de grosso, não era maleável, dificultando o ajuste ao corpo. Comparada ao protótipo (peça feita como modelo) muitas alterações foram feitas e, vendo todas as 14 fantasias lado a lado, era nítida a diferença entre elas. Isso sem contar que meu sapato não estava pronto.
Qdo perguntei sobre a posição no carro, fui informada que não existia isso na Império, e que conforme as meninas fossem chegando, iriam escolhendo seu lugar...
Com a fantasia em mãos, fiz o que foi possível para que o chapéu permanecesse na minha cabeça. Aperta daqui, aperta dali... até que conseguimos firmá-lo.
Sexta-feira, dia do desfile: liguei para o barracão e a camisa de apoio do Chico ainda não estava disponível, sendo que desde o início de meu contato uma das condições para eu desfilar era que ele estivesse do meu lado.
Chegamos no hotel por volta das 21h e fui direto para a concentração. Para minha surpresa os carros não estavam prontos(!). Isso mesmo, muita coisa ainda estava sendo feita... quase não acreditei. Procurei pelo meu sapato e finalmente entregaram, só que tamanho 38 sendo que eu calço 34. Qto a camisa... nada! Foi decepcionante. Voltei para o quarto por volta de meia-noite, tentei relaxar, entupi meu sapato de algodão, mas era impossível fazê-lo ficar no meu pé. Foi frustante, afinal eu paguei pela fantasia.
Eram duas e pouco da madrugada qdo fomos para o sambódromo. Eu estava linda, impecavelmente maquiada, corpo dourado... mas fui descalça pois não conseguia andar com o sapato. As unhas douradas (detalhes da fantasia) foram se soltando pelo meio do caminho pois eram coladas e não borbadas como eu estava acostumada. Os ombros pesavam pq sem o sapato a capa arrastava no chão... triste!
O Chico estava de calça branca, sapato branco, cinto branco... foram 200 reais gastos (praticamente o preço de uma fantasia) para que estivesse dentro dos padrões da escola. Mas ele não tinha camisa... nem de apoio, nem de nada para desfilar.
Olhando para os lados, dezenas de menininhas de mãozinha dada com outros garotões com camisa de apoio... todos sentados, fazendo nada! Por sorte, o Bruno estava com uma camisa azul lisa por cima da de apoio e, como precisavam de ajuda no carro abre-alas, deixaram que o Chico entrasse na avenida assim.
Enqto isso eu já estava no carro. Precisaram entortar meu costeiro pq a altura do teto não era compatível com a altura da fantasia (isso pq tenho pouco mais de 1,50m). Neste tempo de espera minha cabeça já estava latejando pq precisei apertar muito os arames para que o chapéu ficasse na minha cabeça e antes mesmo de entrar na avenida eu já estava cansada.
Respirei fundo, contive o choro... eu já estava ali, então ia dar o melhor de mim, fazer de coração pq comigo é assim: tudo ou nada.
Ao passar a linha amarela, início da passarela, esqueci a dor, esqueci o sapato saindo do pé. Eu era azul e branco, a escola dependia da minha evolução, eu fazia parte da alegoria e meu sorriso precisava convencer.
Nunca aquela avenida pareceu tão longa em toda minha vida. Logo no início o crepe da braço arrebentou e eu precisei apertar o arrame para que o adereço ficasse bem preso. Ao tentar sambar, era o pé que sambava no sapato e o atrito da pele foi machucando e, conforme eu suava, ardia muito... fora o cardaço usado para amarrar a perneira que estava apertado demais... nossa... eu ainda estava no recuo da bateria, na metade do percurso, e meus ombros já não aguentavam a fantasia... mas o sorrisão estava ali, de orelha a orelha, não parava de sambar. Quem me viu na telinha da Globo ou pelo filminho do Terra não desconfiou o quão doloroso estava sendo me mexer daquele jeito... rs
Finalmente chegamos a dispersão... foi qdo lembrei que eu teria que voltar todo o percurso até o hotel andando... e descalça!
A pior parte, por incrível que pareça, foi tomar banho. O jato da ducha na cabeça doía muito, o couro cabeludo tinha galos, o pé estava encardido, doendo... mas o cansaço era grande e dormi até às 11h.
Chegando em Santos, o Chico estava afônico, com os braços doídos e pesados por ter que mantê-lo para cima controlando a velocidade da molecada empurrando o abre-alas. Tomamos outro banho, me lambuzei de Hirudoid para evitar os hematomas e dormimos até às 21h.
Terça, dia de apuração, acordamos para assistir. Apesar de tudo o que passamos, queríamos o título, torcíamos e continuamos acreditando mesmo qdo a Mocidade estava isolada em primeiro com todas as notas 10. As notas foram saindo, os 10 aparecendo, o resultado foi mudando e, no último quesito, a Império ganhou o título... éramos campeões!
Acho que nunca me senti tão bem, tão aliviada... era como se todo nosso esforço, nossa dor tivesse valido a pena.
Quinta-feira fui na minha sogra pegar a pistolinha de cola quente emprestada. Colei unha por unha da fantasia, tirei algumas de onde não apareciam para cobrir algumas falhas da frente, endireitei pluma por pluma, arrumei cada rabo de galo, fiz uma recauchutagem geral deixando minha fantasia impecável para o desfile das campeãs. Até queimei meu dedo nessa brincadeira...
Chegando no sambódromo, outra decepção: só eu estava fantasiada. As outras destaques estavam a penas com o ombro e o biquininho rosa (que não era o da fantasia)... só! Se não me engano, apenas 1 outra do meu carro estava com a fantasia completa como eu...
Meu carro não desfilou por defeito no eixo e fomos realocadas para outros carros. Outra falha... pq as fantasias foram sendo colocadas aleatoriamente, sem pensar na composição...
Achei essa atitude injusta, absurda... não comigo, mas com quem pagou para ver a escola desfilar... quem passou a noite em claro, tomou chuva para ver a escola campeã.
Não sei se é verdade, mas dizem que a Império doou metade das fantasias, inclusive as composições de carro. Talvez aí esteja a expicação dessa falta de respeito.
Geralmente, as pessoas costumam dar valor àquilo que pagam, mesmo que o preço seja simbólico. Eu paguei pela minha fantasia, foram R$ 800 pagos à vista... um preço considerado razoável perto de quem não pagou nada... e por este motivo cuidei dela e fiz questão de usá-la mais uma vez.
Não sei se este ano foi atípico ou se a comunidade imperiana tem essa mentalidade... torço para que não, para que eu não tenha comprado gato por lebre.
Se a primeira impressão é a que fica, por sorte a organização prevaleceu durante os ensaios técnicos e os discursos de quadra. Sendo assim, em 2007 estarei lá, rumo ao tri, dando o melhor de mim e fazendo a minha parte para que tudo saia conforme o planejado.
Só espero ter da escola o mínimo esperado, aquilo pelo qual paguei: minha fantasia.
segunda-feira, 6 de março de 2006
Uma visão crítica
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ResponderExcluirVc descreveu tudo o q se passou pela minha cabeça qdo assisti ao Desfile das Campeãs !!!
Infelizmente foi uma decepção... qdo não vi seu carro então, entrei em pânico... cadê o carro ? cadê a Sheyla ? E mandei msg no cel, mesmo sabendo q vcs não responderiam de imediato, mas precisava saber onde estavam meus amigos !!! Perdi até o sono...
O Cara lá de Cima realmente sabe das coisas... não foi à toa q a TV Cultura deu um super close em vc bem no finalzinho do Desfile... linda e impecável... não tive dúvidas... sabia q só poderia ser vc !!! Tomara q vc consiga a gravação, estou torcendo por isso :D
Qdo recebi sua ligação às 07:00hs fiquei mais aliviada.
Espero realmente q tenha sido alguma falha na organização e q ano q vem isso melhore e muito !!!
Parabéns pela sua garra, isso é mais uma prova da pessoa maravilhosa q vc é !!!
Claro q tbém não poderia deixar de dar os parabéns pro Chico, um companheiro e super guerreiro !!!